“Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar
e voltar sempre inteira” (Cecília Meireles)
Quando se é criança as histórias nos encantam. E,
mesmo que mais tarde não acreditemos no que
nos foi contado, fica um encantamento que oculta nossos conceitos e também nosso discernimento.
Foi assim quando ouvi sobre a lenda das quatro
estações. Rezava a lenda que três irmãos deram origem às três primeiras
estações do ano e as lágrimas de uma irmã saudosa transformaram-se em flores e
cada uma de uma forma, de uma cor e de um perfume que ia tornando a terra mais
colorida e mais cheia de luz. Era a princesa primavera, que surgia para se opor ao verão que queima, ao inverno
que entristece e ao outono sombrio das folhas que se jogam em cascata.
Mas
voltando à realidade, fato é que todo ano a primavera surge tal qual princesa,
majestosa derramando suas cores, pincelando todo o universo com o pincel de
Deus.
E toda a natureza se renova, transforma-se numa
exuberante vitalidade. Tudo respira vida, tudo é fertilidade.
Por que não aproveitar o momento desse ciclo em que a
natureza se enfeita e sair do nosso silêncio do nosso recolhimento?
Deixar para trás o inverno que nos gelou o coração,
esquecer as ventanias que varreram nossos sonhos, apagar as tristezas, as
angústias de um outono sombrio?
- Esquecer as estações pela qual passamos é podar os
galhos que teimam em impedir o crescimento, deixar que os novos brotos da fé,
da esperança, renasçam em nosso coração, colorir nossa alma de sentimentos que
façam aflorar nossos dons. Transformar
nossos sorrisos em flores fazendo primavera na vida de todos aqueles que são nossos
companheiros de caminhada.
Como existe um tempo para tudo, esse é o tempo em que
a primavera nos convida a abrir espaço para o novo, florescer nosso coração
para que o perfume exale por onde passarmos.


