Como a semente deitada na terra, preparada para romper-se em
rebento novo. Como o artista que, diante da tela, torna-se imagem do artista maior. Como a criança no colo
de sua mãe, olhos cerrados de quem confia sempre. No coração de Deus encontramos
o que deseja o nosso coração. Coisas que nenhum coração humano ainda sentiu, ninguém viu nem ouviu. Profecia
que encanta e anima a todos os que amam.
Buscamos porque falta em nós o que dele transborda. No coração de Deus não
existe exclusão, nem separação. Cada um tem seu lugar, sua morada. E tem lugar
a alegria, a festa, a celebração. O coração de Deus é aconchego. É acolhida.
domingo, 1 de dezembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
CONVIDADOS PARA O BANQUETE
Missa? Pra quê?
Precisamos ir à missa? Não podemos só praticar o bem? Não podemos apenas rezar sozinhos, em casa?
Há algum tempo muita gente tem se colocado essas e outras perguntas. Não são poucos aqueles para os quais a missa perdeu ou vem perdendo o sentido. Diversos fatores têm contribuído para isso: a variedade de atrações que seduzem o ser humano contemporâneo; a catequese fraca na família e na comunidade; a tentação de tornar a missa envolvente a qualquer custo, fazendo-a assemelhar-se por vezes mais a um espetáculo que a um momento de intimidade com o Senhor; a má preparação e o mau desempenho de muitos ministros da celebração (sacerdotes, diáconos, acólitos, leitores, cantores...) entre outros motivos.
Por outro lado, nunca a missa se tornou tá acessível: com a reforma enpreendida pelo Concílio vaticano II, há 50 anos, os textos litúrgicos são propostos na língua do povo, os meios de comunicação transmitem diversas celebrações eucarísticas diariamente; por toda parte, promovem-se cursos de liturgia. Mas parece que isso não tem bastado para dar à eucaristia um lugar central na vida de todo cristão católico. Onde está, então, o problema?
A questão coloca-se antes, bem antes dos diferentes “tipos” de missa, de padre, de música. Ela envolve uma resposta pessoal à seguinte pergunta: “Tem sentido eu participar da eucaristia?”
“Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco” (Lc 22,15)
só faz sentido falar em participação na eucaristia para quem é discípulo de Jesus: não apenas mais um na multidão, mas alguém para quem Jesus tornou-se mestre, tornou-se amigo, tornou-se tudo. Aí, para quem se decide pelo seguimento de Jesus, a eucaristia é um momento não só necessário, mas desejado e sublime. A missa é momento magnifico de encontro com quem mais amamos!
domingo, 10 de novembro de 2013
Catequese com crianças ou catequese infantil?
Vai e volta a gente escuta os catequistas dizerem: “Eu trabalho com catequese infantil”. Todos nós que escutamos esta expressão, logo concluímos que aquela pessoa é catequista de crianças e não de jovens ou adultos, ou seja, que sua turma é composta de crianças na faixa etária de mais ou menos 8 a 11 anos. Mas pensando bem, não parece estranha essa expressão catequese infantil? Será que é a catequese que é infantil ou o público que é infantil? Tomara que seja o público! A catequese deve ser sempre um processo sério, maduro, que ajude a transmitir uma experiência de fé genuína e não algo infantil ou infantilizante.
Infelizmente, cristalizou-se entre nós uma catequese bem infantil, no sentido negativo da expressão. Muitos catequistas acham que, porque o destinatário do anúncio são crianças, a fé deve ser um teologia rala e rasa, sem densidade espiritual, sem aprofundamento bíblico. Uma espécie de papinha teológica, mais para despertar devoções e piedades que para promover um encontro com o Deus vivo. Então, muitos se desgastam em diminutivos como mamãe do céu, papai do céu, Jesus nosso amiguinho. Outros se dedicam a difundir figuras que mexem com a imaginação da criança, tais como anjos e santos da piedade popular. E ainda tem aqueles que simplificam ou minimizam a força da Escritura Sagrada transformando-a em histórias bem infantis, desviando-as do sentido original do texto. Pegam os relatos bíblicos e contam-nos como se fossem eventos acontecidos, tal qual estão escritos ali, sem nenhuma necessidade de interpretação: uma espécie de bíblia para crianças. É o caso do relato da criação, da queda, de Abrão e sua gente, de Sansão e Dalila, de José do Egito. Tudo bem que as crianças entrem em contato também com o Antigo Testamento. É muito bom que seja assim, mas não basta transformar esses relatos em histórias infantis. Eles precisam ser interpretados teologicamente, pois o autor sagrado quando os redigiu não escrevia uma história real, mas uma catequese ou teologia que pudesse ajudar sua gente a crescer na fé.
O perigo que corremos com esse tipo de catequese é de infantilizar a fé. Porque lidamos com crianças não quer dizer que devemos testemunhar uma fé infantil, sem sólidos fundamentos, nem que devemos proporcionar uma experiência de fé ingênua e tola que não se sustente ao longo da vida. Uma catequese assim não prepara um seguidor de Jesus, um discípulo; ela forma o ateu de amanhã. Quando vier a primeira tempestade da vida, aquele católico – agora jovem ou adulto – vai ver sua fé ir embora na enxurrada dos destroços de sua vida. Quando aparecerem os primeiros questionamentos científicos, sua fé vai desmoronar como um castelo de areia. Quando as primeiras e sérias decisões precisarem ser tomadas, ele verá que seus princípios religiosos são frágeis e não lhe dão segurança para seguir seu caminho. Ele se sentirá traído e enganado, e não apoiado e sustentado pela fé.
Ora, o que a catequese pretende: ensinar umas historinhas da carochinha ou formar o cristão de amanhã? O que nós queremos: envernizar a vida das crianças com devoções populares baseadas em anjos da guarda ou ajudá-las a construir uma espiritualidade sólida e forte? Será que, quando essa criança crescer, a oração do anjo da guarda será suficiente para aliviar sua dor na hora da crise? Será que mandar um beijo para a mamãe do céu será o bastante para afagar seu espírito abatido na hora do sofrimento? Parece que não! A fé infantil e infantilizante que temos dado às nossas crianças sucumbe no primeiro vendaval de emoções da adolescência, ela tem se desfeito mesmo antes do ataque da racionalidade que vem por ocasião da juventude. Tanto é que normalmente essas crianças nem têm chegado à crisma (por volta dos 15 anos); despedem-se da Igreja na primeira e última comunhão.
Pensando nisso, entendemos que é preciso desde cedo dar às crianças uma experiência de fé confiável, na dose da criança é claro, mas uma experiência de fé autêntica e forte que a acompanhe pela vida e com ela amadureça cada dia. Então, em vez de ensinar orações devocionais, devemos ensinar de fato a rezar, a entrar em comunhão com Deus. Em vez de transformar Jesus em um amiguinho, melhor proporcionar uma experiência de seguimento de Jesus de Nazaré. Em vez de minimizar a dor do Calvário, melhor refletir sobre as maldades humanas. Em vez de transformar Deus em um papai do céu, que vive brincando com anjos na eternidade, melhor mostrar que ele é o pai de Jesus Cristo e nosso pai. Certamente que não vamos transformar Deus em um juiz implacável que fica anotando pecados lá no céu, com o intuito de vingá-los na hora do juízo. Mas daí a descaracterizar Deus, transformando-o no “amigo lá de cima”, num velhinho tipo papai noel ou numa energia cósmica, já parece demais. Em vez de ensinar que o Espírito Santo é uma pomba, parece mais inteligente mostrar que ele é Deus conosco. E assim vai. A catequese para crianças não pode e não deve ser uma catequese infantil, mas adulta, madura, como deve ser toda expressão de fé. Amenizar os mistérios da fé ou colocar tudo no diminutivo não resolve o problema catequético. Só nos cria mais um problema com consequências funestas para o futuro.
Solange Maria do Carmo
Vai e volta a gente escuta os catequistas dizerem: “Eu trabalho com catequese infantil”. Todos nós que escutamos esta expressão, logo concluímos que aquela pessoa é catequista de crianças e não de jovens ou adultos, ou seja, que sua turma é composta de crianças na faixa etária de mais ou menos 8 a 11 anos. Mas pensando bem, não parece estranha essa expressão catequese infantil? Será que é a catequese que é infantil ou o público que é infantil? Tomara que seja o público! A catequese deve ser sempre um processo sério, maduro, que ajude a transmitir uma experiência de fé genuína e não algo infantil ou infantilizante.
Infelizmente, cristalizou-se entre nós uma catequese bem infantil, no sentido negativo da expressão. Muitos catequistas acham que, porque o destinatário do anúncio são crianças, a fé deve ser um teologia rala e rasa, sem densidade espiritual, sem aprofundamento bíblico. Uma espécie de papinha teológica, mais para despertar devoções e piedades que para promover um encontro com o Deus vivo. Então, muitos se desgastam em diminutivos como mamãe do céu, papai do céu, Jesus nosso amiguinho. Outros se dedicam a difundir figuras que mexem com a imaginação da criança, tais como anjos e santos da piedade popular. E ainda tem aqueles que simplificam ou minimizam a força da Escritura Sagrada transformando-a em histórias bem infantis, desviando-as do sentido original do texto. Pegam os relatos bíblicos e contam-nos como se fossem eventos acontecidos, tal qual estão escritos ali, sem nenhuma necessidade de interpretação: uma espécie de bíblia para crianças. É o caso do relato da criação, da queda, de Abrão e sua gente, de Sansão e Dalila, de José do Egito. Tudo bem que as crianças entrem em contato também com o Antigo Testamento. É muito bom que seja assim, mas não basta transformar esses relatos em histórias infantis. Eles precisam ser interpretados teologicamente, pois o autor sagrado quando os redigiu não escrevia uma história real, mas uma catequese ou teologia que pudesse ajudar sua gente a crescer na fé.
O perigo que corremos com esse tipo de catequese é de infantilizar a fé. Porque lidamos com crianças não quer dizer que devemos testemunhar uma fé infantil, sem sólidos fundamentos, nem que devemos proporcionar uma experiência de fé ingênua e tola que não se sustente ao longo da vida. Uma catequese assim não prepara um seguidor de Jesus, um discípulo; ela forma o ateu de amanhã. Quando vier a primeira tempestade da vida, aquele católico – agora jovem ou adulto – vai ver sua fé ir embora na enxurrada dos destroços de sua vida. Quando aparecerem os primeiros questionamentos científicos, sua fé vai desmoronar como um castelo de areia. Quando as primeiras e sérias decisões precisarem ser tomadas, ele verá que seus princípios religiosos são frágeis e não lhe dão segurança para seguir seu caminho. Ele se sentirá traído e enganado, e não apoiado e sustentado pela fé.
Ora, o que a catequese pretende: ensinar umas historinhas da carochinha ou formar o cristão de amanhã? O que nós queremos: envernizar a vida das crianças com devoções populares baseadas em anjos da guarda ou ajudá-las a construir uma espiritualidade sólida e forte? Será que, quando essa criança crescer, a oração do anjo da guarda será suficiente para aliviar sua dor na hora da crise? Será que mandar um beijo para a mamãe do céu será o bastante para afagar seu espírito abatido na hora do sofrimento? Parece que não! A fé infantil e infantilizante que temos dado às nossas crianças sucumbe no primeiro vendaval de emoções da adolescência, ela tem se desfeito mesmo antes do ataque da racionalidade que vem por ocasião da juventude. Tanto é que normalmente essas crianças nem têm chegado à crisma (por volta dos 15 anos); despedem-se da Igreja na primeira e última comunhão.
Pensando nisso, entendemos que é preciso desde cedo dar às crianças uma experiência de fé confiável, na dose da criança é claro, mas uma experiência de fé autêntica e forte que a acompanhe pela vida e com ela amadureça cada dia. Então, em vez de ensinar orações devocionais, devemos ensinar de fato a rezar, a entrar em comunhão com Deus. Em vez de transformar Jesus em um amiguinho, melhor proporcionar uma experiência de seguimento de Jesus de Nazaré. Em vez de minimizar a dor do Calvário, melhor refletir sobre as maldades humanas. Em vez de transformar Deus em um papai do céu, que vive brincando com anjos na eternidade, melhor mostrar que ele é o pai de Jesus Cristo e nosso pai. Certamente que não vamos transformar Deus em um juiz implacável que fica anotando pecados lá no céu, com o intuito de vingá-los na hora do juízo. Mas daí a descaracterizar Deus, transformando-o no “amigo lá de cima”, num velhinho tipo papai noel ou numa energia cósmica, já parece demais. Em vez de ensinar que o Espírito Santo é uma pomba, parece mais inteligente mostrar que ele é Deus conosco. E assim vai. A catequese para crianças não pode e não deve ser uma catequese infantil, mas adulta, madura, como deve ser toda expressão de fé. Amenizar os mistérios da fé ou colocar tudo no diminutivo não resolve o problema catequético. Só nos cria mais um problema com consequências funestas para o futuro.
Solange Maria do Carmo
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
O CATEQUISTA: Mistagogo
Está se tornando cada vez mais comum entre os catequistas o uso da
palavra “mistagogia”. Diz-se, frequentemente, que todo catequista é
também um “mistagogo” e que a catequese tem uma dimensão “mistagógica”.
Essas palavras estão ligadas à ideia de “mística” e de “mistério”, de
uso corrente na espiritualidade cristã. A retomada atual do modelo
catecumenal dos primeiros séculos, vão
se incorporando ao jeito de falar e de ser dos nossos catequistas, à
maneira como compreendem sua vida cristã e seu ministério.
Por
mistério nossa Igreja compreende todo o plano da salvação que o Pai
realiza, especialmente em Jesus Cristo. É a graça da vida nova agindo em
cada cristão, continuamente convidado a mergulhar na páscoa de Jesus e
nela encontrar força e esperança para sua caminhada.
Por mística
podemos entender o tempero que dá sabor e sustento a tudo aquilo que
pensa, sente e faz o cristão. “É a motivação densa e profunda da
caminhada cristã”. Falar em mística é falar do sentido da existência. É
falar da experiência amorosa de Deus. É ser iniciado no mistério.
A
mistagogia aponta para a experiência pessoal de Jesus e de seu projeto,
vivida na comunidade cristã e no mundo. Quando a Igreja diz, portanto
que o catequista é um mistagogo, ela esta afirmando sua principal
missão: conduzir as pessoas para dentro do mistério de Deus leva-las até
Jesus, pois quem o vê, vê o próprio Pai.
Enquanto mistagogo, o
catequista é chamado a fazer a mesma experiência que fizeram os
discípulos: ir até Jesus, permanecer com ele, deixar-se educar pela sua
palavra e por suas atitudes, encantar-se com a proposta do reino por
ele inaugurado, ver a alegria da participar da sua intimidade e do seu
caminho, para depois contagiar outros com seu testemunho.
A
consciência de ser mistagogo faz com que o catequista aprofunde sua
missão, pois passa a compreender que ela não se reduz à transmissão de
conhecimentos e doutrinas a respeito de Jesus, mas vai muito além disso;
seu ministério o vincula à pessoa de Jesus de tal maneira, que ele
passa a falar do que vive, do que experimenta, dos segredos que Deus
revela aos simples e humildes de coração.
Trecho do texto de Pe. Vanildo de Paiva
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
CATEQUISTA -MISSIONÁRIO A SERVIÇO DO REINO
'Pelo batismo recebi uma missão/ Vou trabalhar pelo reino do Senhor/ Vou anunciar o Evangelho para os povos./ Vou anunciar a Boa nova de Jesus/ Onde eu for serei fermento, sal e luz/ Levando a todos a mensagem de cristão.
Muitos cantam esta música. Prestamos atenção na letra? No batismo recebemos a missão de anunciar o evangelho, e como está este anuncio? E nossa identidade missionária?
O missionário fala e proclama a Boa Nova em nome de Jesus. Não há como ser missionário sem viver a experiência do encontro com Deus, sem conhecê-lo. Conhecemos Jesus quando, vivemos e participamos da igreja e numa catequese permanente, ouvindo a Palavra de Deus.
O missionário se preocupa com a pessoa em sua totalidade levando-o ao encantamento por Jesus e formando-a para ser engajada na igreja e na missão; não se acomoda, preocupa-se com os que abandonam a igreja ou se distanciam; não é omisso e nem negligente, está sempre a serviço da vida, da promoção humana e da verdadeira libertação com implantação do Reino da Vida.
Muitas vezes nos deparamos com situações difíceis, então recordemos o chamado a Jeremias e seu encontro com Deus. “Antes de te modelar no ventre materno, Eu te conheci... consagrei-te... e te constituí missionário”, vivendo este chamado este encontro o missionário não aceita meias adesões nem meia entrega. Encorajado pelo encontro e pelas palavras de Deus, o missionário tem a atenção afeiçoada e vigilante para quem mais precisa, ou seja, vive atento para cuidar das ovelhas abatidas, das que estão doentes, das fraturadas, das desgarradas e perdidas.
Qual são as qualidades do missionário? Paixão por Jesus Cristo, amor pela Igreja, disponibilidade, alegria e criatividade; disposição para lutar contra a tentação do sucesso e do poder; abertura ao diálogo e capacidade de compreender aos outros. Jesus nos chama para anunciar!
Então, você que foi batizado e crismado qual é a sua resposta?
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